Histórico

DA CULINÁRIA TÍPICA À GASTRONOMIA

O prazer proporcionado pela boa mesa é um dos fatores mais importantes no cotidiano depois da alimentação básica para a sobrevivência. A gastronomia nasceu desse prazer e constituiu-se como a arte de cozinhar e associar os alimentos para deles retirar o máximo benefício. Cultura muito antiga, a gastronomia esteve presente na origem de grandes transformações sociais e políticas. A alimentação passou, portanto, por várias etapas ao longo do desenvolvimento humano, evoluindo do nômade caçador ao homem sedentário, quando este aprendeu a dominar as técnicas agrícolas e de domesticar animais.

Por essas razões, a gastronomia tem um foro mais abrangente que a culinária. Enquanto a culinária se ocupa mais especificamente das técnicas de confecção dos alimentos, a gastronomia é, por sua vez, um ramo que abrange tanto a produção de alimentos e bebidas, quanto a materiais usados na alimentação e a forma como os alimentos são preparados. O termo se torna ainda mais apropriado quando a ele se associam o refinamento dos pratos, a forma de apresentação e os aspectos culturais a eles associados, a exemplo dos costumes, do vestuário, da música ou da dança, que tradicionalmente acompanham as refeições.

Assim, os elementos culturais de um povo, por excelência, seus costumes, saberes e fazeres na produção de alimentos e bebidas é que fazem a gastronomia de uma região ou nação. Minas Gerais, com a generosidade de suas terras, suas múltiplas raízes culturais e a criatividade de seu povo, detém forte talento quando o assunto é gastronomia. Nos últimos anos, principalmente, a culinária típica mineira ganhou mais atenção; suas raízes e interfaces têm sido cada vez mais pesquisadas, valorizadas e exploradas. Os resultados já evidenciam um considerável salto qualitativo e Minas Gerais já é reconhecido como um dos estados de maior apelo gastronômico no Brasil.

É neste contexto que reside a importância deste projeto, cujo propósito principal é recuperar e manter a memória da gastronomia de Minas Gerais e projetá-la no cenário turístico e cultural, em âmbitos nacional e internacional.

Minas Gerais

A GASTRONOMIA MINEIRA

O sucesso na arte de cozinhar e a forma espontânea de receber dos mineiros remontam às suas raízes e história. Os pratos originalmente simples das primeiras décadas de povoamento da região das minas foram ganhando, ao longo dos tempos, ingredientes e dicas muito especiais. A deliciosa culinária da Capitania foi evoluindo até ganhar, nos dias atuais, o merecido status de gastronomia mineira – uma das mais ricas, saborosas e apreciadas de todo Brasil.

Em cada região do Estado, delícias de todo tipo são especialmente preparadas para as mais diferentes ocasiões, afinal, o mineiro é hospitaleiro por natureza e não perde a oportunidade de compartilhar mesas preciosas e fartas. Tradicionalmente, a cultura mineira é marcada pela convivência familiar, pela religiosidade, pelas inúmeras festas e pela reconhecida hospitalidade.

Nas festas, familiares, amigos e visitantes se juntam para rezar, brincar, cantar e comer. Comer até se fartar. Vivenciar essas festas só faz sentido quando se experimentam os deliciosos e variados pratos da culinária típica, com seus ricos ingredientes e temperos. A gastronomia é, portanto, um dos principais valores da cultura mineira.

Segundo pesquisa da Secretaria de Turismo de Minas Gerais, 33% dos entrevistados apontam a gastronomia como a primeira imagem associada a Minas. E 42% consideram a degustação de produtos típicos como a experiência gastronômica mais atraente.

Importante ressaltar que os pratos da culinária típica de Minas não se restringem aos restaurantes. Ao contrário, fazem parte do cotidiano e dos lares do povo.

comemoração

O DIA DA GASTRONOMIA MINEIRA

O Dia da Gastronomia Mineira, instituído pela Lei Nº 20.577, de 21/12/2012, é celebrado em 5 de julho. Além de ter por finalidade divulgar a culinária do Estado, presta homenagem ao nascimento do escritor Eduardo Frieiro, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, fundador da Biblioteca Estadual Luiz de Bessa e autor de “Feijão, Angu e Couve – ensaio sobre a comida dos mineiros”. Publicado em 1966, o livro foi a primeira obra a abordar a culinária mineira sob os aspectos histórico, antropológico e sociológico.

A culinária mineira foi-se consolidando em duas principais fases da ocupação do território do Estado. A precariedade no abastecimento que caracterizou a primeira fase do povoamento, no ciclo do ouro, foi determinante no aproveitamento dos recursos alimentares advindos das culturas de subsistência domésticas, sobretudo o porco e o frango. A segunda fase, após o declínio da atividade aurífera, no período de dispersão da atividade econômica para o meio rural, foi marcada por maior abundância e diversidade de alimentos e pela incorporação dos produtos derivados da pecuária bovina, em especial o leite e o queijo.

A comemoração do Dia da Gastronomia Mineira, além de contribuir para explorar o potencial turístico e de geração de renda do Estado, pretende fortalecer sua identidade, uma vez que a culinária mineira expressa sua rica diversidade cultural, reunindo, de forma sincrética, alimentos e pratos indígenas, africanos e portugueses.